A minha experiência com a rotulagem

Os rótulos dos alimentos sempre chamaram minha atenção nas gôndolas dos mercados e a busca por entender o que significava aquilo, atraiu cada vez mais o meu interesse. Entender o que pode ou não pode estar escrito, compreender a tabela nutricional, conhecer a origem do produto, saber mais sobre a lista de ingredientes… Tudo isso me aguçou a mergulhar nesse assunto e utilizar meus conhecimentos para ajudar os empreendedores.

A rotulagem não é abordada como matéria principal em nenhuma disciplina do curso de Ciência e Tecnologia de Alimentos, ela vem como coadjuvante e aparece em disciplinas como Legislação de alimentos e Nutrição. Dessa forma notei a necessidade de buscar cursos para me capacitar nessa área tão específica. 

A partir da minha imersão no mundo da rotulagem, conquistei conhecimento e confiança suficientes para poder elaborar rótulos. E desde então tenho prestado serviço de elaboração de rotulagem nutricional, dizeres do rótulo e revisão do mesmo, principalmente para os pequenos produtores, confeiteiras e microempreendedores. 

Primeiras impressões sobre a nova rotulagem

O ano de 2020 vai ser lembrado como o ano da rotulagem, visto que o assunto sobre a divulgação das novas regras foi muito comentado nas redes sociais.

A aprovação das normas se deu após um longo período de discussões, tanto entre as agências regulatórias, indivíduos em geral e órgãos de defesa do consumidor. É curioso observar que devido a falta de consenso entre as organizações do Mercosul, o Brasil publicou as novas normas sem levar em conta a harmonização das regras de rotulagem entre os países pertencentes ao grupo. Dessa forma, a aprovação da nova rotulagem se caracterizou como um marco para os profissionais de alimentos e para todos os interessados neste meio. 

A primeira impressão que a nova legislação nos passa é a mudança através dos desenhos de alerta frontal, porém as regras vão muito além disso. Houveram mudanças significativas dentro da tabela nutricional, tanto mudanças visuais (aparência), quanto no conteúdo em si. Foi definida uma formatação padrão da tabela, a qual deve ter obrigatoriamente linhas pretas, fundo branco, caracteres pretos e fonte Arial ou Helvetica. Essas mudanças vão impactar visualmente os rótulos dos produtos, já que atualmente não há padrão pré-estabelecido para formatação da mesma. 

Além da aparência, outro impacto relevante é a inserção de um novo nutriente, os açúcares adicionados e a criação de uma nova coluna na tabela nutricional, que traz informações referentes a 100 g do alimento. Com isso, essas mudanças vão atrair mais a atenção dos consumidores para a tabela nutricional e trarão informações relevantes que podem impactar na decisão de compra.

Principais impactos sobre as empresas e os consumidores

Em primeiro lugar as empresas precisam se atentar e se preparar para as mudanças que ainda estão para entrar em vigor. Não devem ser feitas mudanças no momento, somente 24 meses após a publicação da legislação, seguindo os prazos estabelecidos para produtos com embalagem retornável, novos produtos, produtos que já são comercializados no mercado, entre outros. 

Apesar do período de implantação da nova legislação estar relativamente distante, as empresas necessitam reduzir os impactos que podem ser provocados por essa mudança. Logo devem buscar pela organização na compra de rótulos, reformulação de produtos e até mesmo desenvolvimento de novas receitas, de forma que as alterações na rotulagem não provoquem um efeito negativo diante da percepção do consumidor. Ou seja, caso o produto tenha um conteúdo alto em açúcar, gorduras ou sódio, e existe a possibilidade de alterar formulações para redução desses componentes, este pode ser um caminho conveniente para a redução de impacto na indústria de alimentos.

Por outro lado, o consumidor que se preocupa com alimentação saudável e equilibrada, vai encontrar na nova rotulagem maior clareza das informações, o que vai impactar muito no poder de escolha do mesmo. Possivelmente muitos alimentos que eram vistos como “fit”, podem ser desmascarados com as mudanças previstas. 

Enfim, os impactos provocados pelas novas regras de rotulagem serão grandes, podendo influenciar na decisão de compra dos alimentos. Porém as indústrias têm um período para se adaptar e modificar formulações para reduzir o impacto sobre os consumidores. De fato, alguns produtos que já são vistos como vilões da nutrição como os doces, biscoitos recheados, chocolates, entre outros, provavelmente não perderão significativamente seu público, porque já são conhecidos como alimentos que têm quantidade considerável de açúcar e gordura. Contudo espera-se que o objetivo de reduzir a incidência de doenças crônicas seja alcançado com a mudança da rotulagem. 

Sobre a autora

Nascida na serra carioca em Petrópolis (RJ), se aventurou em terras mineiras para buscar seus sonhos. Formada em Ciência e Tecnologia de Alimentos no IF Sudeste MG no ano de 2018 e especializada em Gestão da Qualidade e Controle de Higiene Sanitária dos Alimentos pela Claretiano. Durante a vida acadêmica adquiriu muitas experiências nos programas de iniciação científica, estágio e empresa júnior, com isso obteve bagagem para aplicar na consultoria de alimentos. Em 2020 abriu sua empresa de prestação de serviços para os empreendimentos do ramo de alimentos, sendo a rotulagem um dos principais serviços oferecidos.

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