O café sempre fez parte da minha vida. Sempre estive ligado ao dia a dia do trabalho com o café. Sou filho de pais produtores do fruto e desde pequeno acompanho a rotina e os cuidados necessários para o desenvolvimento de uma lavoura saudável e de qualidade. Apesar da tradição cafeeira, em um primeiro momento, não pensei em seguir a carreira da família. Contudo, acabei voltando para o curso de Ciência e Tecnologia de Alimentos, oferecido pelo Instituto Federal do Espírito Santo – Ifes, e decidi que ali construiria minha carreira nos mistérios e nos deleites do café especial.

Esse tal de Café Especial …

Ao contrário do café tradicional, aquele que você encontra no mercado por um preço inferior, mas com qualidade equivalente ao preço, o café especial respeita as características aromáticas dos grãos, com o cuidado de entender a sua complexa cadeia de notas de sabores e de aromas, bem como um olhar atento para a escolha do produto. O café tradicional, por exemplo, possui baixa complexidade e acidez por não se atentar na escolha de grãos perfeitos, e a sua torra excessiva acaba deixando a bebida amarga e desagradável. Já o café especial busca preservar os dotes naturais de cada espécie – robusta ou arábica – além de ter em sua composição somente grãos selecionados, e a torra é pensada exatamente para acentuar a sua beleza, singularidade e seus atributos sensoriais. Ainda, é preciso destacar que o café especial vai além da xícara, pois combina na sua cadeia de produção: a importância da origem, a história do produtor, bem como a preocupação com um processo sustentável e pró- ambiental – elementos valiosos para gerar um produto de extrema qualidade e com a consciência que o mundo moderno exige.

A inspiração para empreender no mundo do café

Durante o meu período na graduação no IFES, tive cada vez mais contato com o universo de cafés especiais e realizei pesquisas que aprimoraram meus conhecimentos contribuindo de forma ativa para a comunidade acadêmica voltada para a indústria alimentícia e da agricultura.
A iniciação científica contou com o apoio e a orientação do Prof. Dr. Lucas Louzada, e o principal objetivo era investigar o processo de pós- colheita do café, aprofundando-se no processo de fermentação com o fim de trazer perfis sensoriais mais acentuados para o café. O projeto tornou possível estreitar laços com outros pesquisadores e produtores do meio, dentre eles Dério Brioschi Junior e João Paulo Marcate, que também desenvolviam uma pesquisa com o Prof. Lucas. Assim, começamos a discutir a possibilidade de fundar uma empresa própria: a Farmers Coffee.

E nasceu assim, a Farmers Coffee

Em 2019, essa ideia finalmente saiu do papel: ao lado também de Phelipe Bruneli Brioschi, na varanda de casa, começamos os primeiros passos para uma empresa de sucesso. Hoje a Farmers cresceu, e conta com mais de 300 produtores parceiros de café especial. Tanto eu, quanto Dério e João somos QGraders certificados pelo CQI (Coffee Quality Institute), enquanto Phelipe tem Nível 1 SCA (Specialty Coffee Association) em torra de cafés especiais. Também participamos como juízes no concurso Cup of Excellence por muitos anos, e em 2020, o Sítio Escondica, que é da minha família, teve a honra de ser o campeão do mesmo concurso. É certo pensar que toda essa trajetória, desde o conhecimento familiar até a produção ativa da ciência acadêmica do café, cada etapa em seus pequenos detalhes, foram essenciais para que eu pudesse atingir tantas conquistas. E podemos afirmar sem hesitação: a Farmers e eu estamos no começo de outras tantas vitórias que estão por vir.

Sobre o Autor

Luiz Henrique Bozzi Pimenta de Sousa é formado em Técnico em Agroindústria (2014) e em Ciência e Tecnologia de Alimentos pelo Instituto Federal do Espírito Santo (2019). Atualmente é sócio e proprietário da  Farmers Coffee Consultoria e Comércio de Café LTDA no Espírito Santo.

Instagram Farmers Coffee

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